Monday, January 15, 2007

Burca

Hoje que a noite transpira
E a brisa nos deixou molhados
Venho burlar olhos detetives
E fazer gozar teus medos chicoteados

Por entre as frestas da ignorância
Como quem foge um pouco da morte
Sinto-lhe trêmula, quase escorrendo
Entreolhando meus olhos de fome

E quando toco-lhe o rosto e a carne
Vejo a loucura que a deixa sorrir
Loucura guardada, febril, sufocada
Que revela o amor que exala de ti

Voltando do Inferno

Voltando do inferno
Tenho muito medo
O frio na barriga
Me consome logo cedo

Tento burlar a dó
Equilibrando-se em vidro
Mas foi tarde de novo
E quando sangro não ligo

Queria ser Chaplin
Rir das brincadeiras
Que tento largar
De todas as maneiras

Quando se respira pouco
Se vive menos ainda
Os ares fazem mal
E a morte é bem-vinda

Voltando para o inferno
Num ciclo infinito
É assim que me abraço
É assim que me evito

Ausência: Causa e Conseqüência

A esperança é a ausência da morte
A morte é a ausência da terra
A terra é a ausência da lágrima
A lágrima é a ausência da guerra

A guerra é a ausência da fé
A fé é a ausência da fome
A fome é a ausência da pazA paz é a ausência do homem

Saturday, November 11, 2006

Em Teu Colo

Em teu colo eu calo e conto
Tantos tolos tu amastes
Como quando os teus prantos
Em meu canto abrigastes
Tendo todo desencanto
De contrários e contrastes

Em teu colo eu calo e tento
Tocar fundo teus temores
Ateando pensamentos
Tateando dissabores
De tantos outros momentos
De tantas outras dores

Em teu colo eu calo e quero
Tê-la toda em meus braços
Tendo todos teus mistérios
Juntar todos teus pedaços
Ter teu colo tão materno
Ter eterno teu abraço

Uma poça transparente

Uma poça transparente
Embora aparente
Ser de água verdadeira
Se olhares com paciência
É apenas aparência
É de água passageira

Mas um poço bem fundo
Que atravessa o mundo
Com sua água bonita
Se olhar sem medo
Não esgota tão cedo
Tua reserva infinita

Uma chuva apressada
Embora encharcada
Pareça temerária
Se olhar daqui do chão
Verás com exatidão
Que é de água temporária

Mas uma chuva carregada
Que causa enxurrada
E não some com o vento
Se olhares confiante
Tua água abundante
Molhará por muito tempo

Com tua poça eu posso
Pois se piso ela se escassa
De tão raso sentimento
Paixão vazia que passa
Mas não podes com meu poço
Que bomba água colorida
Que te engole com amor
E te cospe em seguida
Pois a sede que procuro
É do tamanho de uma vida

Tua chuva molha nada
Nem preciso de abrigo
Dura pouco e se evapora
Não quer ficar comigo
Mas a minha molha muito
Rega plantas e tudo o mais
Pois minha água apaixonada
Sabe o bem que faz
Quando encontra a terra seca
E o solo satisfaz

Gato Minguante

Gato minguante
De miado chiado
Que outrora rugia
Na rua malvado

Gato de rabo
Torto e ralado
Cego que segue
No muro de lado

Gato que foge
Do frio e da fome
Que briga no lixo
Sem dono, não dorme

Gato mendigo
Que unha, que fede
Que foge e apanha
Que rouba, que pede

Gato que nasce
Feliz e felino
Que cresce humano
E morre sozinho

Gozo dado, dinheiro ganho

Primeiro Pinheiro, do dia, o pioneiro.
Depois Edmundo (imundo), o segundo.
O terceiro foi Cordeiro, faceiro.
Torquato, o quarto. Sensato.
O quinto, Jacinto, sucinto.
O sexto, Aleixo, um desleixo.
Ésquilo, o sétimo. Fétido.
Otávio, otário, oitavo.
Nuno foi o nono. Nada.
Décio, o décimo. Péssimo.

Sabor nenhum, gosto estranho.
Hoje faço amor, amanhã apanho.
Gozo dado, dinheiro ganho.

A missão de Natal e os cinco querubins

Quando Natal nasceu, foi com seu irmão.
Um frágil, outro brincalhão.
Conheceram-se e se despediram.
Seu irmão viveu. Natal não.

A mãe de Brigite não teve Brigite.
Teria tido se fosse da elite.
Brigite não nasceu.
Tinha meningite.

Estevão ninguém sabia.
Ninguém teve sabedoria.
De procurar alguém.
Que Estevão salvaria.

Linda era seu nome.
E não ficou entre os homens.
Tinha mãe, tinha pai.
Mas não foi linda sua fome.

Nix de noite chegou.
Chegou e não ficou.
Nix não tinha ninguém.
Então o frio o levou.

Ceres seria viva.
Se sua mãe arrependida,
Por Deus, não tivesse
Abreviado sua vida.

Natal e Brigite tocam flauta.
Vivem numa nuvem bem alta.
Estevão cuida do jardim.
Como outros querubins.
Linda e Nix perfumam o céu.
Por ordem de Gabriel
Ceres ajuda Natal.
Na luta contra o mal.

A Boca que Tanto Beijei

A boca que tanto beijei
Hoje me negou um sorriso
Quando tudo que preciso
É tudo que deixei
E remando indeciso
Fui contra o universo
Deixando só, do lado inverso
Você eu afoguei

Perdoe este perverso
Que desconhece o amor
Não cale seu calor
Uma palavra eu peço
De tanto dissabor
Você ignora até a mágoa
E hoje nem a água
Penetra com sucesso

Dura como tábua
Imóvel a descansar
Vive no fundo do mar
Aos trapos sua anágua
Adorava cantar
Minha sereia cega
Que hoje me nega
Triste e linda estátua

Escambando

Fique com meu espelho
Eu quero tua paz
Dê-me alegria
Leve minha iguaria
E ganharemos mais

Fique com meu ouro
Eu quero tua fé
Dê-me compaixão
Leve meu alazão
E viveremos de pé

Fique com minha arma
Eu quero tua amizade
Dê-me uma margarida
Leve minha comida
E seguiremos em igualdade

Fique com meu barco
Eu quero teu olhar
Dê-me uma morada
Leve minha espada
E iremos comemorar

Fique com minhas atrocidades
Eu quero teu perdão
Dê-me um agrado
Leve meus pecados
E viveremos como irmãos

O amor, quando se revela

O amor, quando se revela,
Não se sabe revelar.
Sabe bem olhar p'ra ela,
Mas não lhe sabe falar.

Quem quer dizer o que sente
Não sabe o que há-de dizer.
Fala: parece que mente...
Cala: parece esquecer...

Ah, mas se ela adivinhasse,
Se pudesse ouvir o olhar,
E se um olhar lhe bastasse
P'ra saber que a estão a amar!

Mas quem sente muito, cala;
Quem quer dizer quanto sente
Fica sem alma nem fala,
Fica só, inteiramente!

Mas se isto puder contar-lhe
O que não lhe ouso contar,
Já não terei que falar-lhe
Porque lhe estou a falar...

Fernando Pessoa

Os Deuses do Olimpo

Lá pra idade do Caos
Com o dia ocioso
Tinha tempo a dar com pau
Cronos, o preguiçoso
Tendo os filhos devorado
O cabra esfomeado
Estava condenado
Por seu filho mais famoso

Zeus, esse era o cara
Com seus irmãos e irmãs
Agora todos vomitados
Deram um coro nos Titãs
E com Hera, a assanhada
Irmã-esposa-amada
Protegia as casadas
Fez surgir um novo clã

Mina guerreira era Atena
Nunca casou, nem teve macho
Ninguém se metia a besta
De segurar-lhe no laço
Apolo também viria
Da medicina, da profecia
Sua irmã os bichos protegia
Ártemis, a virgem do arco

Ares, o pit-bull
Esse mano era espada
Pois mais que confusão
Gostava da mulherada
Como Poseidon e seu garfão
Deus marinho barbudão
E grande garanhão
Até Medusa foi currada

Hermes, o motoboy
Protegia a malandragem
E Dionísio, o pau d´água
Só vivia na viagem
E Deméter, quando ciente
Que Hades cruelmente
Levou Perséfone, a semente
Deixou rolar a estiagem

Do amor e da beleza
Afrodite era fogosa
Tentava até os Deuses
De maneira escandalosa
Com Ares e todo o resto
Corneava o coxo Hefesto
Com Zeus cometia incesto
Todos queriam a gostosa

Inveja e ódio lá no morro
Adultério e hipocrisia
O Olimpo era uma festa
Ambrósia e néctar todo dia
Mas a grande confusão
É na próxima geração
Que contarei com exatidão
Numa outra poesia

Mesmo que Não Me Ames

Mesmo que não me ames
Ainda assim, comigo dance
Uma última, mesmo assim
Nem que o perfume não perfume
Nem que a música me engane
E menos óbvio fique o fim

Ainda sim, sinta meu abraço
Um último, mesmo assim
Nem que o tremor atrapalhe
Nem que o aperto incomode
E menos frio fique o fim

Ainda sim, olhe meus olhos
Uma última, mesmo assim
Nem que o pranto abrevie
Nem que o soluço silencie
E menos amargo fique o fim

Ainda sim, me procures
O resto da vida, mesmo assim
Nem que o sempre amedronte
Nem que o nunca desmorone
E menos eterno fique o fim

Busquei

Busquei em Budapeste
Um Danúbio inspirador
E fui tirando a dor
Assim eu me curei

Busquei em Paris
Tudo que me seduz
Encontrei toda a luz
Assim me iluminei

Busquei em Madrid
Alguma liberdade
Encontrei felicidade
Assim eu me livrei

Busquei em Istambul
Vi paz e tolerância
Com muita relutância
Assim eu a deixei

Busquei em Berlim
Algo indivisível
Vi tudo muito incrível
Assim acreditei

Busquei em Lisboa
Encontrar um novo lar
Vi algo familiar
Assim a abracei

Busquei em Buenos Aires
Calar o meu pranto
Ouvindo um lindo canto
Assim eu levantei

Busquei no Rio
Viver outra paixão
Andei no calçadão
Assim me apaixonei

Busquei em minha vida
Não me machucar
Mas como evitar
Se já me machuquei ?

Jogo do Bicho

Hoje pretendo fazer
Uma fezinha no capricho
Pois tive um pesadelo
Tinha pena, tinha pelo
Virei tudo quanto é bicho

No começo eu era um porco
No meio do lamaçal
De meia-nove a sete-dois
Pretendo jogar depois
Na cabeça o animal

Comecei a ficar ruim
Assim ninguém agüenta
De treze a dezesseis
O que veio desta vez?
Virei uma borboleta

Esse bicho é suspeito
Não faz muito a minha
De cinco-dois a quatro-nove
Isso não me comove
A borboleta virou galinha

Mas a fome era tamanha
Engoli de uma vez
A galinha era cumprida
Virei cobra em seguida
De trinta e três a trinta e seis

Já virou palhaçada
Comecei a desconfiar
Com esse bicho não se mete
De oitenta a sete-sete
Num peru fui me enroscar

Mas não sei se era peru
Era muito colorido
E assim na lua-cheia
De nove-três a nove-meia
Eu era um pavão exibido

Melhor eu acordar
Que esse papo está estranho
Admito, estou intrigado
E vou jogar no veado
Assim talvez eu ganho

Acorde acordado

Um acorde na pestana
Acordado no susto

Acorda com muito custo

Não sai assim, não sai assado
Sem amor, sai sufocado
Se treinado, sai despertado

Faz fá na primeira, faz na segunda
Se voltar, é bemol
Só que na terceira, é sol

Soa estranho, não se assuste
Assim parece sem sentido
E na quarta, sol sustenido

Lá na quinta, é lá que sai
Na sexta, soa sumindo
Meio suspeito, meio dormindo

Na sétima, é si, sim senhor
Que, sem sustenido, dá dó
Que sai na oitava, de uma vez só

Na nona, espere sonhando
Decida-se na décima, que é ré
E na seguinte, seu sustenido é

Mi faz fácil na próxima
E me faça o favor, querida

Faça um fá logo em seguida

Outra vez fá susteneia
Faz sentido como na onze

Só que sai sozinho, lá na quatorze,

E na quinze, que surpresa!
Acorde! Que dia gostoso!
O sol saiu de novo

Por Onde Você Andou

Que bom vê-lo
Sorrindo pra mim
Já tinha esquecido
De como era lindo
Vê-lo assim

Por onde você andou?
Onde você está ?
Fique aqui comigo
Sou teu pai amigo
Não volte para lá

Temos muito aqui
Sinta meu abraço
Minha emoção
Há muito espaço
Em meu coração

Por onde você andou?
Foi ruim a jornada?
Aquele é um caminho
Tomado de espinhos
Que oculta a chegada

Durma um pouco agora
E quando acordado
Entenda toda esta paz
Os erros do passado
Ficaram para trás

Por onde você andou?
Viagens profundas?
Desculpe meus exemplos
Agora temos tempo
Sem mais perguntas

Que sei que existe

Na fome, o que é mais horroroso.
É o desespero de nosso povo.
Assistido por um Deus.
Que todos insistem.
Que sei que existe.
Que é bondoso.

Na guerra, o que dá mais pena.
É grito de criança pequena.
Ouvido por um Deus.
Que todos insistem.
Que sei que existe.
Que vale a pena.

Na tragédia, o que não faz sentido.
É não fazer idéia do castigo.
Imposto por um calado Deus.
Que todos insistem.
Que sei que existe.
Que é amigo.

Na vida, o que quero mais que tudo.
É cessar os males do mundo.
Não esperando ajuda de um Deus.
Que todos insistem.
Que sei que existe.
Mas que é cego, surdo e mudo.

O Tempo Está do Nosso Lado

O tempo está do nosso lado
Contra dores e feridas
Faz lembranças perdidas
Ficarem no passado

E deixa tudo lá parado
As lágrimas da partida
O final, a despedida
Tudo fica congelado

As mais duras aventuras
Os momentos desesperados
Noites frias e escuras

E promove toda a cura
Se com saber for dominado
Pra calar a amargura

O Conto de Eros

O conto mais belo
Que sou sabedor
É o conto de Eros,
O Deus do Amor

O jovem cupido,
Arauto da paixão
Foi incumbido
De ingrata missão

Afrodite enciumada
Decidiu ordenar:
Uma jovem adorada
Deveria flechar

Então condenaria
Psiquê, o seu nome
Que se apaixonaria
Pelo pior dos homens

E deu tudo errado,
A flecha não saiu
E o menino alado
De amor caiu

Casaram então,
Sem ninguém saber
Com a condição,
Dela nunca lhe ver

Ela não resistiu
E o reconheceu
Quando curiosa viu
A face do Deus

Triste e tremendo,
Eros voou
Psiquê sofrendo,
No rio se jogou

O rio não a queria,
Estava decidido
Ela deveria,
Procurar o marido

Nesta jornada,
Afrodite encontrou
A Deusa irada,
Que então ordenou

Quatro tarefas,
Deveria fazer
E em todas elas,
Sobreviver

Psiquê consagrada
Tudo resolveu
Enquanto Eros Buscava
A ajuda de Zeus

Deus-pai ordenou
Consentindo o enlace
E Psiquê ordenou
Que Deusa virasse

Eros e Psiquê,
Um amor de verdade
Passaram a viver
Na eternidade

Delírio

Nua, mas para o amor não cabe o pejo
Na minha a sua boca eu comprimia.
E, em frêmitos carnais, ela dizia:
– Mais abaixo, meu bem, quero o teu beijo!

Na inconsciência bruta do meu desejo
Fremente, a minha boca obedecia,
E os seus seios, tão rígidos mordia,Fazendo-a arrepiar em doce arpejo.

Em suspiros de gozos infinitos
Disse-me ela, ainda quase em grito:
– Mais abaixo, meu bem! – num frenesi.

No seu ventre pousei a minha boca,
– Mais abaixo, meu bem! – disse ela, louca,
Moralistas, perdoai! Obedeci...


Olavo Bilac

Um corpo foi achado

Um corpo foi achado
Sem rumo algum
De rosto ignorado
De nome nenhum

Um corpo que outrora
Afortunado
Apodrece agora
Na fila deitado

Um corpo sem alma
Abandonado
Ninguém sente falta
Ninguém ao seu lado

Um corpo que acaba
Que não resistiu
A uma vida penada
Que nunca existiu

Quem ouviram ?

Sol da liberdade
Só pra imoralidade
Do heróico povo itinerante
É que o brado é retumbante

Conquistar com braço forte ?
Só quem tem arma e porte.
Para aqueles não eleitos.
Desafiam o nosso peito.

Pátria amada, idolatrada ?
Só na música cantada.
Pro sofrido povo imenso.
Nada de sonho intenso.

Amor e esperança ?Só a novela alcança.
Pro pobre, imensa pobreza.
Gigante pela própria natureza.

Impávido colosso ?
Só se for o fundo do poço.
Pra quem não tem beleza.
Não há futuro, nem grandeza.

Terra adorada entre outras mil ?
Só pra quem nunca te viu.
Pra quem vive nesse covil.
Ela não é mãe gentil.

Em berço explêndido deitado ?
Só o rico e emancipado.
Pra quem vive no submundo.
Não tem luz no céu profundo.

Risonhos lindos campos?
Só para poucos tantos.
Pra quem tem vida sofrida.
Os bosques não têm vida.

Pátria amada, idolatrada ?
Só na música cantada.
Pro sofrido povo imenso.
Nada de sonho intenso.

Símbolo de amor eterno?
Só pro ladrão que usa terno.
Pro faminto a balbuciar
Não há lábaro a ostentar

Paz no futuro ?
Só por dentro do muro.
Pro presente condenado.
Não há glória no passado.

Clava forte da justiça ?
Só pra quem for de postiça.
Para o povo que labuta.
Esse sim não foge à luta.

Não temer a própria morte ?
Só pra quem teve sorte.
Para quem nasceu aqui.
Não te adora e quer partir.

Terra adorada entre outras mil ?
Só pra quem nunca te viu.
Pra quem vive nesse covil.
Ela não é mãe gentil.

Sempre houve gritos

Sempre houve gritos
Sempre ouvi-los aflitos
Da guerra. Do passado.
Acuados. Massacrados.
Por liberdade.
Por comida.
Posso me alimentar ?
Então dê-me tua vida.
Por orgulho.
Por sofrimento.
Posso ter orgulho?
Então faça-me armamentos.


Sempre houve conflitos
Sempre ouço gritos
Do ódio. Do passado.
Dilacerados. Dizimados.
Por conhecimento.
Por cultura.
Posso estudar?
Então dê-me tortura.
Por conquistas.
Por paixão.
Posso me apaixonar?
Então sangre pela nação.

Sempre haverá conflitos
Sempre gritos aflitos
Machucados. Do Passado.
Traumatizados. Eternizados.
Sempre por poder
Sempre por dinheiro
Posso poder?
Então dê-me um bombardeio
Sempre pela bandeira
Sempre pelo povo
Posso voltar?
Então lute de novo.

Ritual

À pessoa certa
Num dia propício
Diga estas palavras
E o ritual terá início:

Há exatos seiscentos anos
Nós dois eternizamos
Uma grande ligação
Que não tendo outro jeito
Cravou em nosso peito
A magia da paixão

Um guerreiro e sua amada
Morreram na espada
Buscando liberdade
Um rei enciumado
Tendo sido provocado
Liberou sua maldade

Cem soldados não bastaram
Contra todos eles lutaram
Mas num golpe perfeito
A amada foi atingida
Pela espada inimiga
Que fez dormir seu peito

O guerreiro então fugiu
E na floresta decidiu
Que sua hora ia chegar
Foi em busca da amada
E com a própria espada
A morte foi encontrar

Ainda hoje vivos
Os dois seguem unidos
E sabemos por que
Não pereceram
E a morte venceram
Sou eu e você

Esta história nos conta
Que o amor se reencontra
E supera todo o mal
Nem o tempo, nem a morte
Ameaçam sua sorte
E ele vence no final